O Fundão é uma das 64 cidades de 35 países incluídas, pelo Fundo das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura da UNESCO, na Rede Global de Cidades de Aprendizagem (Gnlc).
O anúncio decorreu esta quarta-feira, dia 14 de fevereiro de 2024, e o Fundão é a única cidade portuguesa nesta lista, que inclui mais quatro cidades de países lusófonos, nomeadamente Curitiba, Leme e Recife (Brasil) e São Filipe (Cabo Verde).
O título é um reconhecimento pelos esforços em tornar a aprendizagem ao longo da vida uma realidade para todos, sendo referido que “desde 2012, Fundão, na província da Beira Baixa, tem focado em inovação territorial para atração de empresas tecnológicas, fomentando o empreendedorismo e promovendo a regeneração urbana. Além disso, desde 2016, a cidade ajudou mais de 253 requerentes de asilo e refugiados com programas de inclusão”.
A estratégia do Município do Fundão é centrada na ideia de uma cidade inteligente, sustentável e inclusiva, que tem em conta a sua baixa densidade populacional e a sua dimensão rural. Como Cidade de Aprendizagem UNESCO procura, através da partilha de boas práticas, soluções para problemas sociais, ambientais e económicos das cidades europeias, propondo, aplicando e replicando boas práticas de desenvolvimento territorial.
Paulo Fernandes, Presidente da Câmara Municipal do Fundão, refere que “estamos obviamente muito satisfeitos com a inclusão do Fundão na Rede de Cidades de Aprendizagem da UNESCO, representando um claro reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver e do forte compromisso que temos com a educação e com a aprendizagem ao longo da vida. Entendemos que a aprendizagem ao longo da vida é essencial, não só para o desenvolvimento sustentável, mas também para reforçar a coesão social e permitir que nos adaptemos da melhor forma a um mundo e a uma realidade que se transformam a uma velocidade vertiginosa. Nesse sentido, temos um projeto dinâmico e diversificado, que alia a tradição e a inovação, naquilo que se pode dizer que é um diálogo entre gerações, algo que também está na génese da nossa Rede de Casas e Lugares do Sentir, um conjunto de espaços espalhados pelas nossas freguesias e que honram os saberes e as tradições locais, mas conferindo-lhe novas roupagens. Temos procurado implementar uma abordagem multidisciplinar, integrando a educação, a saúde, a responsabilidade social, a igualdade, a cultura e a inovação, e fazendo com que todos sejam respeitados e participem ativamente na vida em comunidade. Porque também somos uma das Capitais Europeias da Inclusão e da Diversidade… Porque nos orgulhamos de ser uma Terra de Acolhimento onde as nacionalidades são como as cerejas e há sempre lugar para mais uma, o nosso projeto educativo não poderia deixar de envolver todos aqueles que agora chegam à nossa comunidade, oriundos das mais diversas regiões do mundo. Temos consciência de que aprendemos mais e melhor se nos abrirmos ao mundo e ao outro, se conseguirmos colocar-nos no lugar do outro. Daí que tenhamos vários projetos em curso, realizados em parceria com instituições do ensino superior, que envolvem de forma ativa a nossa comunidade migrante. Estabelecer redes e conexões sempre foi uma das nossas prioridades. Num mundo em que os valores da liberdade e da democracia estão permanentemente em jogo, apostar na aprendizagem ao longo da vida é a melhor forma de estimular um pensamento crítico que permita avaliar da melhor forma o mundo que nos rodeia e ajudar a espalhar a solidariedade e a humanidade. Porque estes são também os valores da Rede de Cidades de Aprendizagem da UNESCO, muito nos orgulha integrar este projeto”.
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O Município do Fundão integra um consórcio para desenvolver metodologias, técnicas e inovação tecnológica relacionadas com a prevenção de incêndios florestais, numa iniciativa que decorre no âmbito do projeto SENFORFIRE - Cost-Effective Wireless Sensor Networks for Forest Fire Prevention and Early Detection.
O projeto, com início em janeiro de 2024, terá um orçamento de 1,7 milhões de euros e conta também com a participação da Universidade de Évora – Escola de Ciências e Tecnologia e da Universidade de Coimbra – Faculdade de Ciências e Tecnologia (Departamento de Engenharia Informática).
O projeto abordará a gestão do risco de incêndio florestal, especialmente devido aos mega incêndios que assolam a região do Sudoe com crescente frequência e intensidade.
Pretende-se com este projeto recorrer a redes de sensores sem fios (WSN) de baixo custo para monitorização e alerta precoce de incêndios florestais, o que irá favorecer a transição digital da gestão de riscos ambientais.
O projeto irá financiar investigação e desenvolvimento de novas tecnologias para as redes de sensores sem fios (WSNs), e irá colocar essas tecnologias ao serviço do combate a incêndios no ambiente rural, natural e florestal, incluindo a interface urbano-rural. Prevê-se, ainda, a instalação de ações piloto nos municípios de Castilla y León, Extremadura, Fundão e Andorra.
Adicionalmente, o SENFORFIRE prevê ainda formação e capacitação em redes de sensores sem fios (WSNs) à população jovem do Sudoe, que irá adquirir novas competências profissionais, melhorando assim a sua empregabilidade e acesso a emprego de qualidade e empreendedorismo, também nas zonas rurais.
O SENFORFIRE faz parte do programa europeu de financiamento INTERREG - SUDOE, no qual o Município do Fundão participa juntamente com 17 entidades de Portugal, Espanha, França e Principado de Andorra. Entre os parceiros destacam-se entidades como centros de Investigação, universidades, PMEs, administração regional, administração local e agências de inovação (AND) com competências na avaliação de riscos meteorológicos e climatológicos e na busca de soluções tecnológicas para lidar com riscos extremos.
O Consejo Superior de Investigaciones Científicas Instituto de Tecnologías Físicas y de la Información – Departamento de Sensores y Sistemas Ultrasónicos (CSIC-ITEFI) é o principal beneficiário e responsável pelo projeto.
O Vereador do Município do Fundão, Pedro Neto, refere que “uma das prioridades do Município é a proteção do nosso património florestal e, através deste programa, temos a oportunidade de dar um impulso importante nesta área. Para o efeito precisamos modernizar tudo o que se relaciona com a prevenção de incêndios, incorporando as tecnologias e práticas mais avançadas e, portanto, as ações propostas no projeto visam a conceção de um sistema integrado de investigação e intercâmbio de conhecimentos na prevenção de incêndios florestais. Os municípios precisam de estar equipados com soluções tecnológicas inovadoras para facilitar a tomada de decisões com base em dados de campo em tempo real”.
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